Antropologia da Tecnologia


Pedagogia Ambiental

David Tierro







A educa��o popular no Brasil � uma metodologia aplicada desde os anos 60 do s�culo XX em situa��es sociais de desequil�brio. Pensada por educadores, advogados, militantes de esquerda, padres e filosofas, a Educa��o Popular � exercida com um tipo de pedagogia que utiliza dos recursos e perspectivas das pessoas mais pobres. O limite da pobreza foi tra�ado desde a muitos anos como uma fronteira da humanidade. A natureza tamb�m � um patrim�nio que est� cada vez mais pobre. Se a educa��o popular � sempre o recurso dos mais fracos dentro do sistema, o recurso � educa��o e conhecimento, uma vez que o modo de produ��o capitalista possui como coordenadores legislativos a classe hegem�nica, se a educa��o popular � uma alternativa, por que ela n�o � pensada em termos da forma��o do cidad�o urbano e do cultivo da natureza?



As campanhas de ecologia falam em preserva��o, e nunca em cultivo. N�o h� preserva��o da natureza sem o cultivo da natureza. Um exemplo � a Igreja do Sagrado Cora��o de Jesus, de Belo Horizonte, situada na av. Caranda� onde �rvores cinq�enten�rias foram mortas, cortadas e incendiadas ao ar livre, para que se fa�a estacionamentos e se preserve a estrutura da regi�o. A popula��o v� a cada dia inc�ndios nas matas e florestas da cidade de Belo Horizonte, a educa��o para o tr�nsito � mais valorizada do que a educa��o para o cultivo da natureza. Uma pergunta simples n�o consegue ser resolvida pela popula��o de Belo Horizonte: o que fazer para que a natureza da cidade n�o seja engolida pelo progresso da Prefeitura Popular de Belo Horizonte e pela iniciativa privada.

Uma das �reas mais prejudicadas ecologicamente da cidade � a Avenida dos Andradas. Curiosamente � a avenida que conduz � C�mara Municipal de Belo Horizonte. A avenida est� com sua cobertura vegetal sendo destru�da sistematicamente pelos moradores da cidade, pelos ve�culos e pela Prefeitura, que est� instalando estruturas art�sticas no lugar das �rvores!!! --- como substituir uma �rvore por uma escultura de metal. A prefeitura est� instalando centenas de pequenas estruturas met�licas, as chamadas Borboletas de Metal, ao inv�s de cuidar da natureza. Na mesma regi�o da avenida h� o ribeir�o arrudas, totalmente destru�do. Paralelo a tudo isso, milhares de pessoas fazem caminhadas di�rias. Que tipo de consci�ncia e responsabilidade ecol�gica os cidad�os de belo horizonte est�o apresentando? Como promover um processo de educa��o para essa popula��o,que convive com a destrui��o da natureza exibindo aquele grau de aliena��o que os educadores populares acreditam ser o principal objetivo contr�rio da educa��o popular, ou seja, combater a aliena��o pol�tica e, contemporaneamente ecol�gica tamb�m, da popula��o.



A educa��o popular tem na hist�ria da educa��o uma trajet�ria de se situar na fronteira da aliena��o e da consci�ncia cr�tica, da an�lise de conjunto, da vis�o ampla. Aliena��o versus vis�o ampla, seria essa a dicotomia inicial. Mas uma vis�o ampla que leve a um posicionamento em rela��o ao que acaba de ver, ou seja, a finalidade da educa��o popular � levar o indiv�duo a uma pr�tica. Um esclarecimento �til, que o ferramenta a superar a contradi��o que ele percebe. Mas a revela��o da contradi��o � complicada, e nem sempre a percep��o do problema leva � vontade de supera-lo. � sabido dos educadores populares que a ignor�ncia da popula��o � interessante ao grupo pol�tico que escraviza economicamente a maioria, que na sua maioria s�o trabalhadores, e que n�o por coincid�ncia � negra ou de origem ind�gena. O prefeito de Belo horizonte, como representante do estado, necessita da ignor�ncia ecol�gica da popula��o para promover suas a��es pol�ticas de desenvolvimento, do aumento da frota de carros e da polui��o sonora e t�xica. Pelo menos � o que nos garante os estudiosos da educa��o popular, que ao adotarem a perspectiva marxista de Paulo Freire, assumem tamb�m que o Estado, seja ele a prefeitura ou o congresso, � um representante da classe capitalista, um representante dos interesses econ�micos, inexoravelmente.

Escrito por Tierro às 11h27
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