Antropologia da Tecnologia


I

 

A sociedade em que vivemos produz uma série de mercadorias e uma interminável proposta de consumo. As etnias em todo o mundo participam hoje dos novos ethos dessa experiência contemporânea, alentadas pelas promessas de satisfação. As mercadorias tecnológicas, cada vez mais significativas no Brasil, na forma de eletrodomésticos de última geração, ou em revolucionárias formas químicas da indústria de cosméticos, sempre comovendo uma multidão de pessoas com o discurso da satisfação, da comodidade e da vida em família. Nesse sentido, há uma razão para que eu não consiga explicar filosoficamente a causa dos fenômenos a minha volta. O surgimento da filosofia parece ser o resultado do esforço dos seres humanos em explicar as coisas a sua volta, principalmente no sentido da evolução técnica. A observação dos fenômenos naturais foi o motor de um processo cognitivo que resultou em evolução técnica[i], mas na sociedade que consome mercadorias tecnológica, há uma magia intrínseca às máquinas, que lhes confere vida. Uma vida limitada pelas condições materiais dos componentes das máquinas, mas a funcionalidade do objeto pode lhe dar alguma humanidade. Entretanto, os projetos culturais locais vão sendo influenciados. Muitos desses processos não são mais refletidos. Minas Gerais, no Brasil, é uma região repleta desses hábitos culturais particulares.  

 

II

 

Essa pode ser a perspectiva de um certo princípio de desempenho, que resultam em uma sociedade mais organizada segundo a racionalidade tecnológica da época. Essa racionalidade sempre esteve presente na organização cultural de um povo?

 

As próprias realizações do princípio de desempenho intensificam a discrepância entre os processos do inconsciente arcaico e da consciência do homem, por uma parte, e as suas potencialidades concretas (...)”. (MARCUSE, 1969)

 

Quais seriam os princípios de desempenho para as mercadorias tecnológicas? Se esse desempenho é arcaico, ele poderia explicar a relação inicial entre o cérebro humano e as mãos humanas, que é diferente da estrutura cognitiva atual? E são mesmas diferentes? A ergonomia humana, a ergonomia cognitiva, essa possibilidade da técnica, de desenvolver a interação entre o homem e suas máquinas, de maneira cada vez mais eficiente, de forma que um ser humano pode passar até dois dias direto diante de uma tela de computador fazendo as mais diferentes coisas apenas na interação entre olhos, mão e cérebro. A capacidade ergonômica seria um fator para explicar o princípio de desempenho? Desempenho também é o que esperamos de nossas mercadorias tecnológicas. O saber sobre elas é restrito a um pequeno grupo que historicamente se perpetua ainda através de seleção matrimonial nas cidades mineiras. É uma explicação superficial.

 

III

 

 

 



[i] ... , segundo Gaston Bachelard, a cinemática das formas naturais expressam referências matemáticas que podem ser abstraídas. (Ensaio sobre o conhecimento aproximado).

Bibliografia: Eros e Civilização, de Herbert Marcuse, traduzido para o português e publicado em 1969 pela Zahar Editores.



Escrito por Tierro às 16h06
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A tecnofobia numa perspectiva crítica?

David José Tierro



Voltemos a pensar o impacto de uma sociedade altamente tecnologizada, onde as relações enre as pessoas é cada vez mais intermediada por mercadorias eletrônicas, e o conteúdo dessas comunicações são cada vez mais amplos e objetivos. O argumento inicial de uma tecnofobia poderia ser esse: a intervenção crescente no modo que as pessoas tradicionalmente organizam suas relações pelas mediações materiais. Os defensores de ciências de “baixa tecnologia”, como a antropologia cultural, que depende muito mais da sensibilidade do antropólogo, e dos vínculos necessários que ele tem que estabelecer para fazer seu trabalho. É claro que uma série de instrumentos tecnológicos são necessários, mas o problema é a “filtragem” que os veiculos fazem da manifestação cultural original. Como estudar as tradições orais de uma cultura indígena pela internet, ou com a internet? Coo manter algumas tradições apenas na oralidade? Mas os argumentos e uma camada Tecnofóbia são mais densos e mais esclarecidos. O presente trabalho, realizado para a matéria “Cultura científica e tecnológica”, ministrada pelo professor Dr. Paulo Ventura, do Mestrado em Educação Tecnológica do CEFET-MG, tem por objetivo apresentar algumas considerações sobre o que seria uma “tecnofobia crítica”. A finalidade é tratar algumas dimensões problematizadoras de nossa cultura tecnológica que emergem a cada nova interação tecnológica que realizamos.
A primeira questão a ser discutida será iluminada por Herbert Marcuse (1898-1979) que tem dois momentos de sua obra filosófica onde aborda os dilemas do homem ocidental e suas máquinas de comunicação e poder. No texto “Eros e civilização”, discutiremos o capítulo 7 “fantasia e utopia”. Em outro texto de Marcuse, achamos mais elementos para nossa análise. Trata-se do livro “Tecnologia, guera e facismo”, onde Marcuse no capítulo I, fala sobre “algumas implicações sociais da tecnologia moderna”. Segue então a reflexão sobre essa questão inicial, que vem a ser a tecnofobia de um ponto de vista crítico nas reflexões neo-marxistas de Hebert Marcuse.



Escrito por Tierro às 13h03
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