Antropologia da Tecnologia


A banda de rock, norte-americana, Rage Against the Machine, utilizavou trechos de Karl MArx em suas letras e melodias para criticar a robotização da humanidade. Na foto da capa de seu primeiro CD,do início dos anos 90 do século XX, há a imagem de um monge tibetano que incendiou o próprio corpo em uma manifestação "pacífica" contra os rumos da humanidade.



Escrito por Tierro às 12h26
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conclusão impertinente, ...

d., tierro

 

O universo existe, ...

Em nossos conhecimentos e representações

O ser,

ou outra coisa, o pensamento

 

Mas não há pensamento sem cerebro, ou cerebro sem pensamento

O real é apreensível no sistema conceitual!

 

Inesgotável debate!

Interocutores e mesmas coisas,

Metáforas filosóficas para eventos psíquicos

E notícias sobre amores e mortes!

Sobre amores e mortes!

 

Sobre amores, ...

Sobre mortes, ...

(Sobre amores, ...

Sobre mortes, ....)

 

E se naquele dia eu estiver completamente perdido?

Se todas as saídas e percepções estiverem fechadas?

E se tudo que eu puder compreender cair do terceiro andar?

(Como as milhares de vezes em que as coisas se repetem)

 

O universo entende o problema!

O sucesso tem sempre algo com isso!

O caminho que nos leva ao outro lado sempre fica escondido!

 

Mas é como se o desejo pela paz nunca valesse nada!

O mundo é organizado sobre tapetes e estofados de carros de luxo

O mundo organizado em coitos apressados de advogados

Em escritórios espúrios e corruptos

O mundo organizado por homens e mulheres em condomínios de milhonários

O mundo organizado dentro de encéfalos que apenas maquinam os lucros

O mundo organizado pela garganta e dentro das bocas da mentira

O mundo que tentamos reconstruir em nossas lutas por liberdades

Aqueles que o sistema massacrou mas que ainda insistem

Aqueles que não tem beleza, nem inteligência, nem poder, ...

Os que estão à margem do mundo

Os que verão a luz

Os que estão com fome

Milhões de Jesus

Bilhões de Jesus

Nos multiplicaremos

E entraremos dentro dos tribunais

Dentro dos puteiros da burguesia

Dentro dos salões de ópera burguesa

Onde os gênios, as bonequinhas do sistema e os sinistros homens bonitos planejam a estética do mundo!

A verdade!

Entraremos e cantaremos!

O Universo existe!

 

Podíamos ser tudo isso, mas somos só o princípio

Da revolução que não cessa e desloca nossas casas!



Escrito por Tierro às 13h17
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As sociedades capitalistas utilizaram as redes de escolarização para ampliar o exercício do poder político, a ressignificação da escola face às novas exigências do sistema se justifica uma vez que a tecnologização do corpo que se pretende irá preparar as novas gerações para a vida em uma sociedade que tem uma econômica cada vez mais marcada por esse paradigma. O presente projeto de Mestrado em Educação propõe uma pesquisa que possa avaliar a dimensão política da influência dos recursos informatizados no aprendizado escolar. Que tipo de sujeito os processos de aprendizados, mediados por novos recursos tecnológicos se propõe a formar? Essa abordagem pode compreender perguntas sobre a introdução das novas tecnologias no espaço escolar através das corporalidades dos próprios estudantes, acostumados cada vez mais à interface das máquinas interativas e com necessidades concretas de adequação cultural (Lévy, 1999). Podemos dizer que se por um lado há uma pressão política para que a escola se tecnologize por parte das estruturas de poder da sociedade, por outro são os próprios sujeitos escolares que se apresentam com demandas cognitivas particulares (Taveira, 2001).

 


1. Corporalidade é o conceito que busca representar a dinâmica das ações lingüísticas do indivíduo tendo como suporte sua experiência global, rompendo com a distinção de Descarte de uma separação entre a dimensão intelectual (cogito) e a dimensão empírica (corpo). In: Maturana, 1998.


 

FOUCAULT, Michel. A Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

MATURANA, Humberto. Emoções e linguagem na educação e na política. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

TANGUY, Lucie. Racionalização pedagógica e legitimidade política. In: ROPÉ, Françoise e TANGUY, Lucie. Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p.25-58.

TAVEIRA, Eleonora Barrêto.  A pesquisa do/no cotidiano e suas múltiplas possibilidades de apresentação. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa e ALVES, Nilda. Pesquisa no/do cotidiano das escolas – sobre redes de saberes. DP&A, 2001. p. 109-130.

 



Escrito por Tierro às 13h12
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A Filósofa Simone Weil em 1937, trabalhando com operária na Fábrica da Renault. Fez análises sobre a relação entre o homem e suas máquinas, na indústria.



Escrito por Tierro às 13h08
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VI. O corpo contemporâneo

 

As sociedades humanas formam seus novos membros através de uma grande diversidade de processos de aprendizado, determinados historicamente. Esses processos incidem diretamente no corpo dos indivíduos, que encontram nas escolas a instituição formal onde os principais processos socializantes acontecem. O estabelecimento histórico da escola como local de socialização, de incidência dos valores culturais sobre os corpos dos novos membros da coletividade, significou uma complexificação do poder do estado, como nos indica Foucault (1979), mas contemporaneamente essa corporalização[1] do sujeito tem incorporado cada vez mais novas tecnologias, novos conhecimentos, informações e possibilidades relacionais. O aprendizado escolar tem sido apontado como incapaz de abranger todas as habilidades requeridas para o corpo contemporâneo. Fora do espaço escolar, novas tecnologias da informação e da comunicação têm direcionado processos de aprendizado culturais que se tornam cada vez mais importantes, trazendo uma série de questionamentos sobre a adequação histórica da escola, praticamente sem alterações de grande porte desde seu estabelecimento como instituição oficial de ensino das sociedades industriais (Tanguy, 1997). O corpo dos novos membros de nossa coletividade inicia sua socialização marcados pela necessidade da conectividade, do manuseio de tecnologias de obtenção e tratamento da informação, da participação em uma série de complexas redes de saberes em uma sociedade capitalista. Essa iniciação pode ser determinante para sua inserção política e econômica, e de fato marca a separação entre os corpos do poder e os da obediência, os incluídos e os excluídos das redes digitais.

 

Os novos recursos informatizados utilizados nos processos de aprendizado escolar objetivam as habilidades que precisam ser construídas pelos indivíduos da contemporaneidade. A análise metodológica e epistemológica desses novos recursos pode ser ampliada pela reflexão político-antropológica, que tem a característica de apresentar um quadro mais amplo para a significação cultural da introdução das tecnologias da informação e comunicação na escola. Se a pergunta foucaultiana tiver pertinência; qual é o corpo que o sistema capitalista precisa?

 



Escrito por Tierro às 13h04
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http://www.ergotec.com.br/saude/robo.html



Escrito por Tierro às 13h01
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V. O corpo tecnologizado e a educação

 

Que corporalidade são solicitadas pelas dinâmicas estruturais contemporâneas? Como os processos educacionais têm se adequado a esse novo momento da ideologia hegemônica da produção?

 

A tecnologia se associa à corporalidade em dois aspectos; em primeiro lugar como intervenção lingüística que modula as relações que o corpo necessita estabelecer com o meio para fluir. A alfabetização computacional é uma tecnologia fundamental para que o desenvolvimento da corporalidade social contemporânea aconteça? Atualmente novos processos educacionais são necessários para que as corporalidades possam ampliar a dinâmica social, de acordo com os ditames do sistema de produção. A cada nova geração de celulares, uma estrutura cognitiva é acrescida. Essa necessidade e seus limites intrínsecos geram novas formas de exclusão, assim como novos tipos de relação do homem com seus objetos. O design das máquinas criadas pelo homem responde cada vez menos pela funcionalidade imediata e cada vez mais pela necessidade de uma adaptação, de uma conectividade do sujeito que as opera, gerando o que Maturana chama de Metadesign, que exige uma nova estética da cognição (MATURANA, 2001). As janelas operacionais para as novas relações de produção de conhecimento são desenvolvida por novos processos de educação, que prescindem da educação formal, ganhando novos espaços e reforçando a exclusão digital, pois o sistema continua capitalista, continua centralizado em termos de poder. A racionalidade técnica encontra justificativas para suas operações de ordenamento das relações de produção, levando o discurso ético por novas realidades educacionais a não evidenciar sua dimensão epistemológica (HABERMAS, 2000). A associação das descobertas da neurofisiologia e das abordagens das ciberciências pode ampliar o debate sobre a educação necessária, não apenas à implementação da infossociedade nos moldes das estruturas hegemônicas, mas lançar luzes para movimentos de educação inclusiva.

 

A informatização da sociedade, a nanotecnologia, a genética molecular, e uma série de avanços em vários campos do conhecimento têm trazido novas questões sobre o conceito de ser humano. O que sabemos sobre o que somos? O que é o humano nesses tempos de desvendamento de mistérios considerados indecifráveis há alguns anos? Um exemplo é a separação clássica entre corpo e alma, que esteve presente no ideário da educação de maneira platônica até a modernidade. Depois da afirmação do cogito e da racionalidade, essa separação ganhou o reforço ético de priorização da razão em detrimento ao corpo. Isso fez surgir distintas formas de educar; a educação da razão e a educação do corpo, sendo esta última inferior à primeira em termos morais. Durante o séc. XX, as críticas a essa cisão foram fortes, redefinições da análise da corporeidade humana apontaram no final do século para ideários como os da Inteligência Emocional e a educação Lúdica. Entretanto devemos avaliar se a separação entre corpo e razão pode ser superada por esses novos paradigmas. As descobertas neurobiológicas de pensadores como Antônio Damásio e Humberto Maturana, apontam outros caminhos para a reflexão sobre a educação a partir de um re-conceito de corporalidade humana.

HABERMAS, Jüngen. O discurso filosófico da modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

MATURANA, Humberto. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte; Ed. UFMG, 2001.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.



Escrito por Tierro às 12h54
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La Fura dels Baus
 
Photograph
 
uma companhia de dança contemporânea que discute o uso do corpo na tecnologia


Escrito por Tierro às 12h53
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imagem do filme METRÓPOLES - 1928 - organismos ciberéticos



Escrito por Tierro às 12h17
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IV.            Educação e Corporalidade

 

A fisiologia humana necessita de uma imbricação complexa com um conjunto de processos educacionais para que seu desenvolvimento possa acontecer. A simbiose entre o corpo humano e as máquinas acontece através de um processo educacional sistemático que se amplia. Não é o mestrado em educação tecnológica do CEFET-MG um esforço cultural para capacitar seres humanos no intenso trabalho político de adequação educacional da população Mineira às novas tecnologias?. As comunidades humanas organizaram desde seus primórdios estruturas culturais para que as novas gerações pudessem adquirir o conhecimento sistematizado pelos mais velhos, uma vez que os instintos comportamentais, que nas demais espécies animais organizam as condutas fundamentais para o equilíbrio e a maturação, nos faltam em essência (MATURANA, 2001). Não nascemos com instintos para o uso das máquinas!

 

A história da educação das comunidades HUMANAS iniciais, como a comunidade Turkana, a mais antiga nos registros científicos, busca na antropologia algumas respostas. Compreendemos que para as formas atuais de sociedades humanas, as relações entre aprendizado tecnológico e desenvolvimento humano são íntimas e necessárias.

 

Em um corpo que necessita aprender para desenvolver uma corporalidade, ou seja, uma intencionalidade, uma identidade, que não está inscrita a priori, mas que é conquistada na interação com as demais corporalidades, as marcas fisiológicas devem ser profundas e possibilitar o acesso a um mundo de interações onde a reprodução e a garantia de continuidade da própria comunidade sejam asseguradas (MATURANA, 2001).

 

Contemporaneamente a sociedade informatizada muda uma série de rotas culturais para desenvolvimento corporal, projetando o ser humano para um tempo e um espaço onde há a necessidade de interagir com grandes quantidades de informações, máquinas, culturas diferentes e linguagens diferentes. Essas análises surgem na ciência denominada ergonomia cognitiva. Essa necessidade gera redefinições constantes dos modelos de aprendizado, e essencialmente dos modelos de corporalidade (BRETON, 2003) que passamos a ter hoje em dia. Organizadas em ondas de renovações tecnológicas, partindo dos centros de poder econômico para as periferias culturais globalizadas, os processos e instituições educacionais reorganizam o corpo compremporâneo, gerando atualizadas formas de exclusão social, as chamadas exclusões digitais. É necessário que a abordagem sobre essas exclusões não pare apenas nos problemas éticos desse paradigma, mas que possamos chegar os fundamentos cognitivos. Em que aspectos a relação do homem com suas tecnologias em uma infossociedade reorganiza a experiência corporal? Como as novas demandas cognitivas tem encontrado espaço crítico nos processos formais de aprendizado? Qual é o corpo que devemos ter para usar as novidades novas do mercado de mercadorias tecnológicas e para transitar nas redes relacionais propiciadas pelas novas máquinas?

 

BRETON, David Lê. Adeus ao corpo. In: NOVAES, Adauto. O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

MATURANA, Humberto. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte; Ed. UFMG, 2001.

 



Escrito por Tierro às 12h15
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O filme matrix retrata a simbiose entre homem e máquina no seu ápice: homem e máquina fundidos organicamente.



Escrito por Tierro às 12h14
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A questão é que os paradigmas de industria capitalista não dialogaram com a crítica à interconectividade que faz Foucault, e nem com as descobertas da neurofisiologia da forma como pensadores como Maturana, Varela, Damásio, Dennett o fazem, de maneira aberta (BRUNO, 2000). Maturana ao apresentar a objetividade entre parênteses como possível fundamento para um alargamento do referencial científico para o problema do corpo e do conhecimento, consegue refletir sobre as metáforas computacionais de uma maneira que não era possível para os paradigmas instrucionais. É necessário que os novos paradigmas do conhecimento possam ser ampliado para que compreendamos as finalidades e alcances de nossos processos educativos para as novas formas de interações, através das máquinas inteligentes.

BRUNO, Fernanda. Corpo e tecnologia. Rio de Janeiro: CFCH/UFRJ, 2000. (Trabalho publicado em Tecendo Saberes 1, 2 e 3 - CD-ROM dos trabalhos selecionados na Jornada de Pesquisadores em Ciências Humanas/UFRJ, Rio de Janeiro: CFCH, 2000).

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

DENNETT, Daniel. Tipos de mentes: rumo a uma compreensão da consciência. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

LÉVY, Pierre. A máquina universo: criação, cognição e cultura informática. Porto Alegre: Artmed, 1998.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

SFEZ, Lucien. As tecnologias do espírito. . In: MENEZES, Maartins e SILVA, Juremir Machado (Org). para navegar no século XXI.  Porto Alegre: Sulipa/Edipurs, 2000. 119-136



Escrito por Tierro às 11h45
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III. Os paradigmas cognitivos e as novas tecnociências

 

O modo de produção capitalista se reestruturou mediante a emergência de novas tecnologias de produção e de organização da experiência cultural e política. A dinâmica social em que os indivíduos estão se inserindo, marcada pelo acesso a tecnologias que alteram a temporalidade e a espacialidade, e pela necessidade de apropriação de novos saberes e conhecimentos, gera a necessidade de que os sistemas formais e informais de educação de também se reordenarem (LÉVY, 1999). Os efeitos corporais dessas simbioses podem ser notados no acesso cada vez mais prematuro as novas gerações aos bens tecnológicos. Preciso de um conceito para designar o diferencial informacional das novas tecnologias, e creio, como estudante disso, que as tecnologias contemporâneas tem um caráter relacional forte.

 

A infosociedade parece necessitar de uma infoeducação para que os seus cidadãos gozem de pelos direitos diante do novo universo relacional (CASTELLS, 1999). Entretanto o debate em torno dessas adequações dos processos educacionais possui posições bem antagônicas, e a relação entre essas posições também é uma característica do paradigma contemporâneo: a indeterminação ou a flexibilidade das posições (SFEZ, 2000). Segundo Fernanda Bruno, os defensores da disseminação tecnológica se opõe aos analistas críticos desse fenômeno. Entretanto, para a industria capitalista, preocupada com a pragmatização das tecnologias na mercadoria tecnológica, não parece haver espaço para esse debate.

 

Os processos educacionais contemporâneos estabelecem um diálogo necessário com as novas tecnologias da informação e tecnociências. Os ciclos produtivos alterados pela velocidade da produção de conhecimento, trouxe para os processos de formação a necessidade de novos agentes. As teorias da educação que passam a associar a cibercultura como elemento em seu paradigma, encontram novas questões.

 

Entre essas questões há as contemporâneas formas de exclusão digital que se globalizam de acordo com a estrutura econômica de cada sociedade. Outro aspecto dessa questão, no campo da educação é a necessidade contínua de adaptação dos profissionais da educação às novas interfaces. Mais profundamente há também reflexões necessárias sobre novas noções de aprendizado, de conhecimento, de corpo surgidas a partir de novas descobertas científicas na neurociência.

 

Imaginemos uma estética do conhecimento em tempos de internet, que se modela ao formado das máquinas que temos que utilizar cotidianamente, ou a ergonomia (ver grupo EAI – Ergonomia cognitiva, no ORKUT) de nossa cognição, que de acordo com o slogan aprender a aprender necessita de uma funcionalidade sobre si mesma para se adaptar a contínua alteração do que devemos considerar como real ou em nossa necessidade de selecionar e organizar as informações cotidianas. O que eu quero dizer é que o aprender a aprender, slogam difundido na Pedagogia da década de noventa, é uma preparação para a simbiose do homem com a máquina.

 

Essa pedagogia para a simbiose precisa de uma nova associação entre a biologia do conhecimento e as teorias do aprendizado. Os paradigmas cognitivistas do início do século XX, que encontram em Piaget e Vigostky não estão superados. A superação de antigos paradigmas não se faz pela crítica sistêmica apenas, mas pela percepção da revelação que lhes falta, de fenômenos que inclusive surgiram após seu estabelecimento (SFEZ, 2000). Imaginemos o que diria Piaget diante de crianças de cinco anos que navegam na Internet!

 



Escrito por Tierro às 11h45
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II. A cognição como ação encarnada

 

 

Recortes poéticos do texto de Fernanda Bruno

 

   (...) uma intencionalidade que não é mais atributo exclusivo de nenhum domínio - ela passa a ser comum a máquinas e vivos, humanos e não-humanos. A intencionalidade, cara à definição moderna de consciência, torna-se capacidade de exibir comportamento inteligente. O advento desta tecnologia abre a possibilidade de haver pensamento sem consciência: os subsistemas que processam informação não são sujeitos que têm consciência de seus estados mentais.

    (...) neurobiologia da racionalidade, ou seja, procura “apresentar os princípios de uma neurobiologia da racionalidade humana ao nível dos sistemas cerebrais de grande escala” (Antônio Damásio). O nome merece uma análise: neuro porque a mente é o cérebro, e biologia porque o homem e a cognição devem ser pensados na proximidade e na continuidade da vida. Sua tese(de Damásio) é a de que a racionalidade humana se desenvolve, tanto na ontogênese quanto na filogênese, segundo a estratégia da regulação biológica (...).

   (...) Esta relação cooperativa entre a história evolutiva e a racionalidade implica a suposição de uma forte imbricação entre mente e corpo ou entre pensamento e corpo. A hipótese de Damásio é a de que o cérebro pensa o corpo. (...) A função global do cérebro é estar bem informado acerca do que se passa no resto do corpo, em si próprio e no mundo que o circunda de modo que possa tomar decisões adequadas que garantam a sobrevivência.

   (...) Num primeiro momento, a Inteligência Artificial efetua uma proximidade homem/máquina rompendo com algumas evidências clássico/modernas acerca do pensamento e da cognição humana. Quando as máquinas põem-se a resolver problemas e operar regras lógicas, a razão e a consciência perdem seu privilégio de elemento diferenciador entre humano e não-humano.

 

BRUNO, Fernanda. Corpo e tecnologia. Rio de Janeiro: CFCH/UFRJ, 2000. (Trabalho publicado em Tecendo Saberes 1, 2 e 3 - CD-ROM dos trabalhos selecionados na Jornada de Pesquisadores em Ciências Humanas/UFRJ, Rio de Janeiro: CFCH, 2000).

 



Escrito por Tierro às 11h29
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BRUNO, Fernanda. Corpo e tecnologia. Rio de Janeiro: CFCH/UFRJ, 2000. (Trabalho publicado em Tecendo Saberes 1, 2 e 3 - CD-ROM dos trabalhos selecionados na Jornada de Pesquisadores em Ciências Humanas/UFRJ, Rio de Janeiro: CFCH, 2000).

DARWIN, Charles. A origem das espécies. São Paulo: Hemus editora, 1983.

JOSÉ, David. Humanização do Homem. Caderno de Educação. Nº26. Belo Horizonte: FAE/UEMG, 2001.p.60-80



Escrito por Tierro às 11h19
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I. A Tecnologização do Corpo Humano

 

 

Um velho debate nas ciências naturais, que depois prosseguiu dentro da antropologia, parece renovado: foi o uso da mão humana, ao ser empregada em tarefas cada vez mais especializadas nas culturas que levou ao desenvolvimento do cérebro, ou a capacidade cognitiva é inata do homem? A inteligência humana é uma conseqüência de sua habilidade técnica, ou é uma conseqüência de sua biologia?

 

A dicotomia pode não parecer significativa para quem não acompanhou essa questão, que tem em dois opositores do século XX, Richard Leakey e Humberto Maturana (JOSÉ, 2001), dois teóricos que avançaram sobre o problema ao discutir a evolução da primeira comunidade humana, originária no Quênia, ao redor do lago Turkana. O filme O Jardineiro fiel retrata esse local. Para nós, o problema suscitado pelas indagações sobre as relações entre a evolução da técnica e a evolução do gênero humano aponta para o fato de que, coordenando suas ações tecnológicas, o homem tem promovido a evolução biológica de sua espécie. Se Darwin (1859) apresentava a seleção natural como resultado de uma série de forças não planejadas, na espécie humana algo novo parece ocorrer. Ao desenvolver máquinas inteligentes e se conectar a elas, o homem promove essa evolução biológica, uma vez que as novas relações econômicas, afetivas, e uma infinidade de outras modalidades relacionais, passa a sofrer interferência direta do uso das tecnologias contemporâneas.

 

As ciências e tecnologias da cognição (CTC) serve às pesquisas antropológicas sobre a tecnologia fornecendo reflexões sobre as concepções que o próprio homem tem de sua capacidade intelectual, e da capacidade “intelectual” dos artefatos desenvolvidos pela humanidade: a cognição das máquinas. A professora Fernanda Bruno, do Rio de Janeiro, em seu texto “Corpo e Tecnologia” (em PDF na Internet), faz uma análise das posições teóricas em CTC com relação à simbiose crescente entre o homem e sua criação mais semelhante, as máquinas inteligentes. Talvez Deus tenha também passado por esses dilemas. Entretanto, remontando a história da técnica, desde seus primórdios, encontramos um debate antropológico mais primário, que vem a ser a presença da tecnologia na evolução do corpo humano, a começar pelas mãos. Essa questão remonta ao próprio Darwin, que se perguntava por que em alguns animais, mais do que em outros, o poder mental adquiriu um grau mais elevado de desenvolvimento, quando o desenvolvimento (de tais habilidades mentais) ofereceria vantagem a todos. Por que os macacos não adquirem as aptidões intelectuais do homem? (DARWIN, 1983. p.206).

 

Segundo a Fernanda Bruno, tal complexidade, que nos garante uma forma singular de pensar e de nos relacionarmos com o meio, é um efeito histórico/evolutivo, onde a complexificação cognitiva vai de par com a complexificação do meio. Para ela a característica fundamental da cognição não é operar símbolos segundo regras lógicas e solucionar problemas, pois não habitamos um mundo feito de objetos precisos, mas um mundo de múltiplas informações às quais devemos dar sentido. Nesse sentido, a conectividade do homem com a sua máquina mais preciosa, o computador, é uma conecção que atende uma necessidade humana vital, a necessidade de processamento das informações do meio para sua adaptabilidade. O computador é uma peça no processo de adaptação ininterrupta da espécie humana, uma vez que a adaptação ao meio não é um processo finito para nenhuma espécie viva. Podemos dizer que a tecnologia é o instrumental para a progressão da adaptação humana ao meio, e dessa forma um fator evolutivo. A simbiose crescente com as máquinas, uma relação simultaneamente parasitária e simbiótica com a informação, tem impacto direto na organização cultural do corpo. Esse é o ponto que nos trás para o olhar antropológico. Como nos fala Fernanda, o corpo passa a ser pensado segundo sua ‘conectividade’ e não apenas segundo sua ‘identidade’. O corpo humano pode ser um objeto rico em informação sobre os efeitos da tecnologia sobre o indivíduo e sobre a sociedade. Com quantos anos a criança deve acessar a internet pela primeira vez?

 



Escrito por Tierro às 11h19
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Antropologia da Tecnologia

David José

 



Escrito por Tierro às 11h17
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Projeto de Investigação da disciplina de Cultura Tecnológica

Tema: A Antropologia da Tecnologia

 

Objetivo: investigar as imagens da relação entre o homem e a máquina na cultura

 

Metodologia:

  1. Estudo bibliográfico de dois textos:

-         Corpo e Tecnologia – Prof. Fernanda Bruno (texto disponível em PDF na internet)

-         Antropologia da Comunicação visual – Prof. Massimo Canevachi

  1. Estudo fotográfico em Preto e Branco – 40 imagens – das interações cotidianas entre homem e máquina. Essas imagens serão analisadas apartir das referências bibliográficas.
  2. Estudo sobre desenho infantil: ensaio A Alma das máquinas. Crianças entre 8 e 10 anos da Escola Estadual Geraldina Soares, no bairro Esplanada, zona leste – classes sociais C e D. Essas imagens serão abordadas em livre interpretação. Foi solicitado a essas crianças que tentassem desenhar o que elas acham que está dentro do computador. Porque um computador funciona, como seria o céu do computador quando ele morre, o que se passa na cabeça do computador. Perguntas que estimulassem as crianças a imaginar a essência do computador, a partir de seus comnhecimentos imediatos e de sua relação com essas máquinas, suas suposições, no caso, uma vez que seu nível social não possibilita que haja computadores na maioria das casas dos alunos.

Cronograma:

  1. estudo bibliográfico: maio-junho de 2006
  2. estudo fotográfico: junho de 2006
  3. estudo sobre desenho: junho de 2006
  4. publicação no Blog antropologia da tecnologia: 28/06
  5. apresentação final: 30/06


Escrito por Tierro às 10h26
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