Antropologia da Tecnologia


Pedagogia Ambiental

David Tierro







A educa��o popular no Brasil � uma metodologia aplicada desde os anos 60 do s�culo XX em situa��es sociais de desequil�brio. Pensada por educadores, advogados, militantes de esquerda, padres e filosofas, a Educa��o Popular � exercida com um tipo de pedagogia que utiliza dos recursos e perspectivas das pessoas mais pobres. O limite da pobreza foi tra�ado desde a muitos anos como uma fronteira da humanidade. A natureza tamb�m � um patrim�nio que est� cada vez mais pobre. Se a educa��o popular � sempre o recurso dos mais fracos dentro do sistema, o recurso � educa��o e conhecimento, uma vez que o modo de produ��o capitalista possui como coordenadores legislativos a classe hegem�nica, se a educa��o popular � uma alternativa, por que ela n�o � pensada em termos da forma��o do cidad�o urbano e do cultivo da natureza?



As campanhas de ecologia falam em preserva��o, e nunca em cultivo. N�o h� preserva��o da natureza sem o cultivo da natureza. Um exemplo � a Igreja do Sagrado Cora��o de Jesus, de Belo Horizonte, situada na av. Caranda� onde �rvores cinq�enten�rias foram mortas, cortadas e incendiadas ao ar livre, para que se fa�a estacionamentos e se preserve a estrutura da regi�o. A popula��o v� a cada dia inc�ndios nas matas e florestas da cidade de Belo Horizonte, a educa��o para o tr�nsito � mais valorizada do que a educa��o para o cultivo da natureza. Uma pergunta simples n�o consegue ser resolvida pela popula��o de Belo Horizonte: o que fazer para que a natureza da cidade n�o seja engolida pelo progresso da Prefeitura Popular de Belo Horizonte e pela iniciativa privada.

Uma das �reas mais prejudicadas ecologicamente da cidade � a Avenida dos Andradas. Curiosamente � a avenida que conduz � C�mara Municipal de Belo Horizonte. A avenida est� com sua cobertura vegetal sendo destru�da sistematicamente pelos moradores da cidade, pelos ve�culos e pela Prefeitura, que est� instalando estruturas art�sticas no lugar das �rvores!!! --- como substituir uma �rvore por uma escultura de metal. A prefeitura est� instalando centenas de pequenas estruturas met�licas, as chamadas Borboletas de Metal, ao inv�s de cuidar da natureza. Na mesma regi�o da avenida h� o ribeir�o arrudas, totalmente destru�do. Paralelo a tudo isso, milhares de pessoas fazem caminhadas di�rias. Que tipo de consci�ncia e responsabilidade ecol�gica os cidad�os de belo horizonte est�o apresentando? Como promover um processo de educa��o para essa popula��o,que convive com a destrui��o da natureza exibindo aquele grau de aliena��o que os educadores populares acreditam ser o principal objetivo contr�rio da educa��o popular, ou seja, combater a aliena��o pol�tica e, contemporaneamente ecol�gica tamb�m, da popula��o.



A educa��o popular tem na hist�ria da educa��o uma trajet�ria de se situar na fronteira da aliena��o e da consci�ncia cr�tica, da an�lise de conjunto, da vis�o ampla. Aliena��o versus vis�o ampla, seria essa a dicotomia inicial. Mas uma vis�o ampla que leve a um posicionamento em rela��o ao que acaba de ver, ou seja, a finalidade da educa��o popular � levar o indiv�duo a uma pr�tica. Um esclarecimento �til, que o ferramenta a superar a contradi��o que ele percebe. Mas a revela��o da contradi��o � complicada, e nem sempre a percep��o do problema leva � vontade de supera-lo. � sabido dos educadores populares que a ignor�ncia da popula��o � interessante ao grupo pol�tico que escraviza economicamente a maioria, que na sua maioria s�o trabalhadores, e que n�o por coincid�ncia � negra ou de origem ind�gena. O prefeito de Belo horizonte, como representante do estado, necessita da ignor�ncia ecol�gica da popula��o para promover suas a��es pol�ticas de desenvolvimento, do aumento da frota de carros e da polui��o sonora e t�xica. Pelo menos � o que nos garante os estudiosos da educa��o popular, que ao adotarem a perspectiva marxista de Paulo Freire, assumem tamb�m que o Estado, seja ele a prefeitura ou o congresso, � um representante da classe capitalista, um representante dos interesses econ�micos, inexoravelmente.

Escrito por Tierro às 11h27
[   ] [ envie esta mensagem ]




III

 

Uma descrição que podemos fazer da identidade cultural dos indivíduos em sociedades humanas e distinguir os comportamentos universáveis (ethos), e os hábitos locais (etnos), estes últimos referentes às relações familiares e relações de trabalho. Massimo Canevachi, aos discutir o ethos burguês, ou a ética da comunicação visual, propõe uma antropologia da dissolução para a abordagem da relação do ser humano com suas imagens, principalmente numa sociedade onde a imagem se tornou mercadoria, com uma linha de montagem e com um enorme mercado consumidor. As pessoas consomem a imagem, compram a imagem, para construir suas identidades particulares. As etnias, que são as comunidades locais, onde hábitos lingüísticos são partilhados, onde relações afetivas são estabelecidas, e rotinas de trabalho comuns, de produção comum da realidade material, todas as etnias possuem seu próprio ethos. Seus comportamentos humanos universalisáveis, ou seja, aqueles hábitos que não funcionam apenas localmente, mas que são o veículo de uma tradução, para uma outra etnia, outra comunidade historicamente diferente.

O primeiro plano fílmico – e, sucessivamente, também o televisivo – exerce uma função simbólica complexa, que o põe, pelo menos em parte, em conexão com o seu antecedente: a máscara. Esta, de fato, desenvolve uma antecipação proteoideológica enquanto explicita um sentido e, ao mesmo tempo, esconde-o; parece mudar de atitude, de expressão e de significado mesmo permanecendo identicamente rígida”.[i]

 

IV

 

 

 

 



[i] CANEVACCI, Massimo. Antropologia da comunicação visual. São Paulo, Editora Brasiliense: 1988. p.15.



Escrito por Tierro às 13h28
[   ] [ envie esta mensagem ]




I

 

A sociedade em que vivemos produz uma série de mercadorias e uma interminável proposta de consumo. As etnias em todo o mundo participam hoje dos novos ethos dessa experiência contemporânea, alentadas pelas promessas de satisfação. As mercadorias tecnológicas, cada vez mais significativas no Brasil, na forma de eletrodomésticos de última geração, ou em revolucionárias formas químicas da indústria de cosméticos, sempre comovendo uma multidão de pessoas com o discurso da satisfação, da comodidade e da vida em família. Nesse sentido, há uma razão para que eu não consiga explicar filosoficamente a causa dos fenômenos a minha volta. O surgimento da filosofia parece ser o resultado do esforço dos seres humanos em explicar as coisas a sua volta, principalmente no sentido da evolução técnica. A observação dos fenômenos naturais foi o motor de um processo cognitivo que resultou em evolução técnica[i], mas na sociedade que consome mercadorias tecnológica, há uma magia intrínseca às máquinas, que lhes confere vida. Uma vida limitada pelas condições materiais dos componentes das máquinas, mas a funcionalidade do objeto pode lhe dar alguma humanidade. Entretanto, os projetos culturais locais vão sendo influenciados. Muitos desses processos não são mais refletidos. Minas Gerais, no Brasil, é uma região repleta desses hábitos culturais particulares.  

 

II

 

Essa pode ser a perspectiva de um certo princípio de desempenho, que resultam em uma sociedade mais organizada segundo a racionalidade tecnológica da época. Essa racionalidade sempre esteve presente na organização cultural de um povo?

 

As próprias realizações do princípio de desempenho intensificam a discrepância entre os processos do inconsciente arcaico e da consciência do homem, por uma parte, e as suas potencialidades concretas (...)”. (MARCUSE, 1969)

 

Quais seriam os princípios de desempenho para as mercadorias tecnológicas? Se esse desempenho é arcaico, ele poderia explicar a relação inicial entre o cérebro humano e as mãos humanas, que é diferente da estrutura cognitiva atual? E são mesmas diferentes? A ergonomia humana, a ergonomia cognitiva, essa possibilidade da técnica, de desenvolver a interação entre o homem e suas máquinas, de maneira cada vez mais eficiente, de forma que um ser humano pode passar até dois dias direto diante de uma tela de computador fazendo as mais diferentes coisas apenas na interação entre olhos, mão e cérebro. A capacidade ergonômica seria um fator para explicar o princípio de desempenho? Desempenho também é o que esperamos de nossas mercadorias tecnológicas. O saber sobre elas é restrito a um pequeno grupo que historicamente se perpetua ainda através de seleção matrimonial nas cidades mineiras. É uma explicação superficial.

 

III

 

 

 



[i] ... , segundo Gaston Bachelard, a cinemática das formas naturais expressam referências matemáticas que podem ser abstraídas. (Ensaio sobre o conhecimento aproximado).

Bibliografia: Eros e Civilização, de Herbert Marcuse, traduzido para o português e publicado em 1969 pela Zahar Editores.



Escrito por Tierro às 16h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

A tecnofobia numa perspectiva crítica?

David José Tierro



Voltemos a pensar o impacto de uma sociedade altamente tecnologizada, onde as relações enre as pessoas é cada vez mais intermediada por mercadorias eletrônicas, e o conteúdo dessas comunicações são cada vez mais amplos e objetivos. O argumento inicial de uma tecnofobia poderia ser esse: a intervenção crescente no modo que as pessoas tradicionalmente organizam suas relações pelas mediações materiais. Os defensores de ciências de “baixa tecnologia”, como a antropologia cultural, que depende muito mais da sensibilidade do antropólogo, e dos vínculos necessários que ele tem que estabelecer para fazer seu trabalho. É claro que uma série de instrumentos tecnológicos são necessários, mas o problema é a “filtragem” que os veiculos fazem da manifestação cultural original. Como estudar as tradições orais de uma cultura indígena pela internet, ou com a internet? Coo manter algumas tradições apenas na oralidade? Mas os argumentos e uma camada Tecnofóbia são mais densos e mais esclarecidos. O presente trabalho, realizado para a matéria “Cultura científica e tecnológica”, ministrada pelo professor Dr. Paulo Ventura, do Mestrado em Educação Tecnológica do CEFET-MG, tem por objetivo apresentar algumas considerações sobre o que seria uma “tecnofobia crítica”. A finalidade é tratar algumas dimensões problematizadoras de nossa cultura tecnológica que emergem a cada nova interação tecnológica que realizamos.
A primeira questão a ser discutida será iluminada por Herbert Marcuse (1898-1979) que tem dois momentos de sua obra filosófica onde aborda os dilemas do homem ocidental e suas máquinas de comunicação e poder. No texto “Eros e civilização”, discutiremos o capítulo 7 “fantasia e utopia”. Em outro texto de Marcuse, achamos mais elementos para nossa análise. Trata-se do livro “Tecnologia, guera e facismo”, onde Marcuse no capítulo I, fala sobre “algumas implicações sociais da tecnologia moderna”. Segue então a reflexão sobre essa questão inicial, que vem a ser a tecnofobia de um ponto de vista crítico nas reflexões neo-marxistas de Hebert Marcuse.



Escrito por Tierro às 13h03
[   ] [ envie esta mensagem ]




A banda de rock, norte-americana, Rage Against the Machine, utilizavou trechos de Karl MArx em suas letras e melodias para criticar a robotização da humanidade. Na foto da capa de seu primeiro CD,do início dos anos 90 do século XX, há a imagem de um monge tibetano que incendiou o próprio corpo em uma manifestação "pacífica" contra os rumos da humanidade.



Escrito por Tierro às 12h26
[   ] [ envie esta mensagem ]




conclusão impertinente, ...

d., tierro

 

O universo existe, ...

Em nossos conhecimentos e representações

O ser,

ou outra coisa, o pensamento

 

Mas não há pensamento sem cerebro, ou cerebro sem pensamento

O real é apreensível no sistema conceitual!

 

Inesgotável debate!

Interocutores e mesmas coisas,

Metáforas filosóficas para eventos psíquicos

E notícias sobre amores e mortes!

Sobre amores e mortes!

 

Sobre amores, ...

Sobre mortes, ...

(Sobre amores, ...

Sobre mortes, ....)

 

E se naquele dia eu estiver completamente perdido?

Se todas as saídas e percepções estiverem fechadas?

E se tudo que eu puder compreender cair do terceiro andar?

(Como as milhares de vezes em que as coisas se repetem)

 

O universo entende o problema!

O sucesso tem sempre algo com isso!

O caminho que nos leva ao outro lado sempre fica escondido!

 

Mas é como se o desejo pela paz nunca valesse nada!

O mundo é organizado sobre tapetes e estofados de carros de luxo

O mundo organizado em coitos apressados de advogados

Em escritórios espúrios e corruptos

O mundo organizado por homens e mulheres em condomínios de milhonários

O mundo organizado dentro de encéfalos que apenas maquinam os lucros

O mundo organizado pela garganta e dentro das bocas da mentira

O mundo que tentamos reconstruir em nossas lutas por liberdades

Aqueles que o sistema massacrou mas que ainda insistem

Aqueles que não tem beleza, nem inteligência, nem poder, ...

Os que estão à margem do mundo

Os que verão a luz

Os que estão com fome

Milhões de Jesus

Bilhões de Jesus

Nos multiplicaremos

E entraremos dentro dos tribunais

Dentro dos puteiros da burguesia

Dentro dos salões de ópera burguesa

Onde os gênios, as bonequinhas do sistema e os sinistros homens bonitos planejam a estética do mundo!

A verdade!

Entraremos e cantaremos!

O Universo existe!

 

Podíamos ser tudo isso, mas somos só o princípio

Da revolução que não cessa e desloca nossas casas!



Escrito por Tierro às 13h17
[   ] [ envie esta mensagem ]




As sociedades capitalistas utilizaram as redes de escolarização para ampliar o exercício do poder político, a ressignificação da escola face às novas exigências do sistema se justifica uma vez que a tecnologização do corpo que se pretende irá preparar as novas gerações para a vida em uma sociedade que tem uma econômica cada vez mais marcada por esse paradigma. O presente projeto de Mestrado em Educação propõe uma pesquisa que possa avaliar a dimensão política da influência dos recursos informatizados no aprendizado escolar. Que tipo de sujeito os processos de aprendizados, mediados por novos recursos tecnológicos se propõe a formar? Essa abordagem pode compreender perguntas sobre a introdução das novas tecnologias no espaço escolar através das corporalidades dos próprios estudantes, acostumados cada vez mais à interface das máquinas interativas e com necessidades concretas de adequação cultural (Lévy, 1999). Podemos dizer que se por um lado há uma pressão política para que a escola se tecnologize por parte das estruturas de poder da sociedade, por outro são os próprios sujeitos escolares que se apresentam com demandas cognitivas particulares (Taveira, 2001).

 


1. Corporalidade é o conceito que busca representar a dinâmica das ações lingüísticas do indivíduo tendo como suporte sua experiência global, rompendo com a distinção de Descarte de uma separação entre a dimensão intelectual (cogito) e a dimensão empírica (corpo). In: Maturana, 1998.


 

FOUCAULT, Michel. A Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

MATURANA, Humberto. Emoções e linguagem na educação e na política. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

TANGUY, Lucie. Racionalização pedagógica e legitimidade política. In: ROPÉ, Françoise e TANGUY, Lucie. Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p.25-58.

TAVEIRA, Eleonora Barrêto.  A pesquisa do/no cotidiano e suas múltiplas possibilidades de apresentação. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa e ALVES, Nilda. Pesquisa no/do cotidiano das escolas – sobre redes de saberes. DP&A, 2001. p. 109-130.

 



Escrito por Tierro às 13h12
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

A Filósofa Simone Weil em 1937, trabalhando com operária na Fábrica da Renault. Fez análises sobre a relação entre o homem e suas máquinas, na indústria.



Escrito por Tierro às 13h08
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

VI. O corpo contemporâneo

 

As sociedades humanas formam seus novos membros através de uma grande diversidade de processos de aprendizado, determinados historicamente. Esses processos incidem diretamente no corpo dos indivíduos, que encontram nas escolas a instituição formal onde os principais processos socializantes acontecem. O estabelecimento histórico da escola como local de socialização, de incidência dos valores culturais sobre os corpos dos novos membros da coletividade, significou uma complexificação do poder do estado, como nos indica Foucault (1979), mas contemporaneamente essa corporalização[1] do sujeito tem incorporado cada vez mais novas tecnologias, novos conhecimentos, informações e possibilidades relacionais. O aprendizado escolar tem sido apontado como incapaz de abranger todas as habilidades requeridas para o corpo contemporâneo. Fora do espaço escolar, novas tecnologias da informação e da comunicação têm direcionado processos de aprendizado culturais que se tornam cada vez mais importantes, trazendo uma série de questionamentos sobre a adequação histórica da escola, praticamente sem alterações de grande porte desde seu estabelecimento como instituição oficial de ensino das sociedades industriais (Tanguy, 1997). O corpo dos novos membros de nossa coletividade inicia sua socialização marcados pela necessidade da conectividade, do manuseio de tecnologias de obtenção e tratamento da informação, da participação em uma série de complexas redes de saberes em uma sociedade capitalista. Essa iniciação pode ser determinante para sua inserção política e econômica, e de fato marca a separação entre os corpos do poder e os da obediência, os incluídos e os excluídos das redes digitais.

 

Os novos recursos informatizados utilizados nos processos de aprendizado escolar objetivam as habilidades que precisam ser construídas pelos indivíduos da contemporaneidade. A análise metodológica e epistemológica desses novos recursos pode ser ampliada pela reflexão político-antropológica, que tem a característica de apresentar um quadro mais amplo para a significação cultural da introdução das tecnologias da informação e comunicação na escola. Se a pergunta foucaultiana tiver pertinência; qual é o corpo que o sistema capitalista precisa?

 



Escrito por Tierro às 13h04
[   ] [ envie esta mensagem ]




http://www.ergotec.com.br/saude/robo.html



Escrito por Tierro às 13h01
[   ] [ envie esta mensagem ]




V. O corpo tecnologizado e a educação

 

Que corporalidade são solicitadas pelas dinâmicas estruturais contemporâneas? Como os processos educacionais têm se adequado a esse novo momento da ideologia hegemônica da produção?

 

A tecnologia se associa à corporalidade em dois aspectos; em primeiro lugar como intervenção lingüística que modula as relações que o corpo necessita estabelecer com o meio para fluir. A alfabetização computacional é uma tecnologia fundamental para que o desenvolvimento da corporalidade social contemporânea aconteça? Atualmente novos processos educacionais são necessários para que as corporalidades possam ampliar a dinâmica social, de acordo com os ditames do sistema de produção. A cada nova geração de celulares, uma estrutura cognitiva é acrescida. Essa necessidade e seus limites intrínsecos geram novas formas de exclusão, assim como novos tipos de relação do homem com seus objetos. O design das máquinas criadas pelo homem responde cada vez menos pela funcionalidade imediata e cada vez mais pela necessidade de uma adaptação, de uma conectividade do sujeito que as opera, gerando o que Maturana chama de Metadesign, que exige uma nova estética da cognição (MATURANA, 2001). As janelas operacionais para as novas relações de produção de conhecimento são desenvolvida por novos processos de educação, que prescindem da educação formal, ganhando novos espaços e reforçando a exclusão digital, pois o sistema continua capitalista, continua centralizado em termos de poder. A racionalidade técnica encontra justificativas para suas operações de ordenamento das relações de produção, levando o discurso ético por novas realidades educacionais a não evidenciar sua dimensão epistemológica (HABERMAS, 2000). A associação das descobertas da neurofisiologia e das abordagens das ciberciências pode ampliar o debate sobre a educação necessária, não apenas à implementação da infossociedade nos moldes das estruturas hegemônicas, mas lançar luzes para movimentos de educação inclusiva.

 

A informatização da sociedade, a nanotecnologia, a genética molecular, e uma série de avanços em vários campos do conhecimento têm trazido novas questões sobre o conceito de ser humano. O que sabemos sobre o que somos? O que é o humano nesses tempos de desvendamento de mistérios considerados indecifráveis há alguns anos? Um exemplo é a separação clássica entre corpo e alma, que esteve presente no ideário da educação de maneira platônica até a modernidade. Depois da afirmação do cogito e da racionalidade, essa separação ganhou o reforço ético de priorização da razão em detrimento ao corpo. Isso fez surgir distintas formas de educar; a educação da razão e a educação do corpo, sendo esta última inferior à primeira em termos morais. Durante o séc. XX, as críticas a essa cisão foram fortes, redefinições da análise da corporeidade humana apontaram no final do século para ideários como os da Inteligência Emocional e a educação Lúdica. Entretanto devemos avaliar se a separação entre corpo e razão pode ser superada por esses novos paradigmas. As descobertas neurobiológicas de pensadores como Antônio Damásio e Humberto Maturana, apontam outros caminhos para a reflexão sobre a educação a partir de um re-conceito de corporalidade humana.

HABERMAS, Jüngen. O discurso filosófico da modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

MATURANA, Humberto. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte; Ed. UFMG, 2001.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.



Escrito por Tierro às 12h54
[   ] [ envie esta mensagem ]




La Fura dels Baus
 
Photograph
 
uma companhia de dança contemporânea que discute o uso do corpo na tecnologia


Escrito por Tierro às 12h53
[   ] [ envie esta mensagem ]




imagem do filme METRÓPOLES - 1928 - organismos ciberéticos



Escrito por Tierro às 12h17
[   ] [ envie esta mensagem ]




IV.            Educação e Corporalidade

 

A fisiologia humana necessita de uma imbricação complexa com um conjunto de processos educacionais para que seu desenvolvimento possa acontecer. A simbiose entre o corpo humano e as máquinas acontece através de um processo educacional sistemático que se amplia. Não é o mestrado em educação tecnológica do CEFET-MG um esforço cultural para capacitar seres humanos no intenso trabalho político de adequação educacional da população Mineira às novas tecnologias?. As comunidades humanas organizaram desde seus primórdios estruturas culturais para que as novas gerações pudessem adquirir o conhecimento sistematizado pelos mais velhos, uma vez que os instintos comportamentais, que nas demais espécies animais organizam as condutas fundamentais para o equilíbrio e a maturação, nos faltam em essência (MATURANA, 2001). Não nascemos com instintos para o uso das máquinas!

 

A história da educação das comunidades HUMANAS iniciais, como a comunidade Turkana, a mais antiga nos registros científicos, busca na antropologia algumas respostas. Compreendemos que para as formas atuais de sociedades humanas, as relações entre aprendizado tecnológico e desenvolvimento humano são íntimas e necessárias.

 

Em um corpo que necessita aprender para desenvolver uma corporalidade, ou seja, uma intencionalidade, uma identidade, que não está inscrita a priori, mas que é conquistada na interação com as demais corporalidades, as marcas fisiológicas devem ser profundas e possibilitar o acesso a um mundo de interações onde a reprodução e a garantia de continuidade da própria comunidade sejam asseguradas (MATURANA, 2001).

 

Contemporaneamente a sociedade informatizada muda uma série de rotas culturais para desenvolvimento corporal, projetando o ser humano para um tempo e um espaço onde há a necessidade de interagir com grandes quantidades de informações, máquinas, culturas diferentes e linguagens diferentes. Essas análises surgem na ciência denominada ergonomia cognitiva. Essa necessidade gera redefinições constantes dos modelos de aprendizado, e essencialmente dos modelos de corporalidade (BRETON, 2003) que passamos a ter hoje em dia. Organizadas em ondas de renovações tecnológicas, partindo dos centros de poder econômico para as periferias culturais globalizadas, os processos e instituições educacionais reorganizam o corpo compremporâneo, gerando atualizadas formas de exclusão social, as chamadas exclusões digitais. É necessário que a abordagem sobre essas exclusões não pare apenas nos problemas éticos desse paradigma, mas que possamos chegar os fundamentos cognitivos. Em que aspectos a relação do homem com suas tecnologias em uma infossociedade reorganiza a experiência corporal? Como as novas demandas cognitivas tem encontrado espaço crítico nos processos formais de aprendizado? Qual é o corpo que devemos ter para usar as novidades novas do mercado de mercadorias tecnológicas e para transitar nas redes relacionais propiciadas pelas novas máquinas?

 

BRETON, David Lê. Adeus ao corpo. In: NOVAES, Adauto. O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

MATURANA, Humberto. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte; Ed. UFMG, 2001.

 



Escrito por Tierro às 12h15
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

O filme matrix retrata a simbiose entre homem e máquina no seu ápice: homem e máquina fundidos organicamente.



Escrito por Tierro às 12h14
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
  11/05/2008 a 17/05/2008
  20/08/2006 a 26/08/2006
  13/08/2006 a 19/08/2006
  25/06/2006 a 01/07/2006
  30/04/2006 a 06/05/2006


Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  Reflexões combatias
  Cultura Tecnológica
Votação
  Dê uma nota para meu blog